Blog do Neto

Domingo, 08 de Agosto de 2010 - 09:23
Prosperina ou Maria Isméria

Para os que freqüentaram os bancos escolares do emblemático Ernesto Monte, mestres como Prosperina, Maria Isméria, Toledo, Petrônio e tantos outros, conseguiam o respeito dos alunos com a simples presença em sala de aula.

Cada um tinha uma característica particular, como é comum a todo ser humano e exaustivamente explicado pela psicologia, mas os alunos, à época uniformizados e sem os recursos do Google, sabiam muito bem entender a competência de cada um.

No dia do debate da TV Bandeirantes comecei a assistir com alguns minutos de atraso, no momento em que a candidata chapa branca se apresentava; antes de aparecer a imagem surgiu o áudio e, pasmem, a minha primeira reação foi de saudades, mas à medida que o cérebro foi interpretando o conteúdo, tornou-se uma decepção.

Tive a sensação de que estava ouvindo a Prosperina ou a Maria Isméria, iniciando uma de suas aulas de matemática ou desenho. Mas ficou apenas a sensação, talvez pelo timbre de voz, ou pela entonação, ou pela rigidez, talvez.

Entretanto, quando a candidata enveredou pelo caminho do conteúdo programático, foi um verdadeiro desastre; ficou no mesmo nível, ou em um nível inferior ao dos demais componentes da mesa, que preferiram discutir temas passados, requentados, despretensiosos e que não provocam qualquer expectativa ou clamor popular.

A candidata além de não ter um conteúdo mínimo, ainda insiste em endeusar seu mestre criador e dizer exclusivamente que foi sua gerente de obras e como tal vai se comportar durante o seu governo.

O eleitor brasileiro mais uma vez encontra-se em um sério dilema: em quem votar?


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Sexta-feira, 30 de Julho de 2010 - 19:39
Minha mãe ficou irritada

A candidata Dilma disse que vai ser mãe de todos os brasileiros; eu não sei se a mãe de vocês aceitou a notícia, mas a minha eu tenho certeza que não.

Embora ela não esteja mais entre nós, felizmente para ela que era crítica de toda essa trapalhada política e está livre de ver o que a representante feminina candidata à presidência está aprontando como “legítima†representante das mulheres, eu tenho certeza que ficou horrorizada e desaprovou totalmente a arrogante afirmação da Dona Dilma em dizer que recebeu do Senhor Lula a incumbência de ser a mãe de todos os brasileiros; acredito que muitas mães brasileiras ficaram deveras indignadas.

Primeiro porque o senhor presidente não recebeu dos brasileiros mandato para tanto; ele foi eleito, segundo a Constituição Federal para durante o seu mandato acumular as funções de Chefe de Estado e de Governo brasileiros e, vasculhando a Carta Magna, não encontrei em nenhum dos seus artigos e em nenhuma das Emendas Constitucionais já aprovadas, qualquer menção ao fato de que foi delegada a ele a função de ser nossa mãe, nem em sentido real nem em sentido figurado.

Daí, não cabe a ele delegar um poder que ele não detém.

Segundo, se a candidata passou a ser mandatária de um poder inexistente, esse poder também é nulo, portanto deve ser ignorado por todos, não tem valor jurídico nem moral, e não deveria ser apregoado aos quatro ventos nem cantado em verso e prosa como vantagem pessoal, porque não é um bem de sua propriedade.

Traduzindo em linguagem popular: é pura propaganda enganosa e o Código do Consumidor trata esse assunto com rigor e os postulantes a cargos públicos deveriam dominar esse assunto claramente.

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Sexta-feira, 30 de Julho de 2010 - 07:32
Felipe Gomes ou Ciro Massa

É tudo farinha do mesmo saco. São duas personalidades nacionais que jogaram suas imagens na lata do lixo por atitudes tomadas na contramão da opinião pública.

A primeira figura ridícula, cuja atitude não causou nenhuma surpresa, foi a do deputado federal Ciro Gomes que se disse ludibriado pelo presidente Lula e foi obrigado a renunciar ao seu sonho de ser candidato a presidente da república para não prejudicar a estratégia plebiscitária do PT que quer comparar a todo custo seus oito anos de governo com os de FHC. Se usar uma calculadora científica não viciada vai levar pau.

A segunda foi dolorosa: tínhamos o Felipe Massa em conta de um grande guerreiro e um decente esportista, mas novamente os dólares (ou seriam os euros?) falaram mais alto e ele candidamente, como já havia feito mais de uma vez o Barrichello, foi para o acostamento para ser vergonhosamente ultrapassado pelo Fernando Alonso, cumprindo determinação da Ferrari e ignorando os milhares de brasileiros que tinham despertado cedo no domingo e transferido seus passeios com a família para ficarem pregados na televisão torcendo por ele a cada curva.

Que bela retribuição. Nunca mais ele me pega. Essa é a diferença desses pilotos de laboratório para pilotos puro de origem como Piquet, Emerson, Pace e Senna. Ninguém teria coragem sequer de fazer uma proposta desse tipo para qualquer um deles. Em contrapartida, Massa veio enriquecer a galeria dos nossos espantalhos da formula 1 que conta com Barrichello que facilitou, tirando o pé nas últimas voltas, algumas vitórias do Schumacher e Nelsinho Piquet que confessou inocentemente ter provocado um acidente para dar um título ao mesmo Fernando Alonso.

 

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Quarta-feira, 21 de Julho de 2010 - 14:08
Seu Dinheirinho Virou Pó

Novamente seu rico (ou pobre) dinheirinho virou pó nas mãos daqueles que gostam de fazer festa distribuindo entre os amigos ideológicos aquilo que suamos muito para ganhar e entregamos em forma de impostos muitas vezes injustos.

Agora os beneficiados com R$ 25 milhões foram os membros da Al Fatah, grupo terrorista que compõe a Autoridade Palestina e vai gerir um fundo para reconstruir pela enésima vez a Faixa de Gaza que eles mesmos destruíram quando a retomaram do grupo Hamas, seu adversário maior.

E os nossos governantes, como grandes altruístas que sempre demonstram ser quando o assunto envolve ideologia controversa, optaram por fazer a doação do que não pertencia a eles, mas ao sofrido povo brasileiro.

Obviamente os grandes culpados somos todos nós que os escolhemos como nossos representantes nas últimas eleições e demos a eles o mandato para nos representar e tomar as decisões políticas em nosso nome.

Quem mandou não sabermos escolher bem as pessoas que iríamos colocar para dirigir nosso país; quem mandou acreditarmos nas palhaçadas que eles apresentaram nos horários políticos mostrados enfadonhamente nas rádios e televisões durante o período eleitoral; quem mandou acharmos que os programas assistencialistas ofertados seriam a nossa redenção.

E agora teremos eleição novamente.

Não se esqueçam que todos nós quando praticamos o ato de cidadania de colocar um elemento desses para dirigir ou para legislar em um país, em um estado ou em um município, estamos dando uma carta branca para ele decidir em nosso nome e depois não podemos chorar em cima do leite derramado.

Temos que aprender a entender os programas de governo que são oferecidos e discutir com os candidatos o que realmente eles estão pretendendo fazer ao longo dos anos de seus mandatos, antes de conceder a eles o aval para nos representar.

É muito importante o papel que essas pessoas irão desempenhar enquanto mandatários de cargos públicos; não se esqueçam que todos os atos que eles executarem envolverão, provavelmente, somas fabulosas de recursos representados pela somatória dos esforços de milhares de brasileiros que como você levantam cedo e se dedicam horas a fio longe da família para produzir bens e serviços, gerando impostos para o governo e resultados para os empresários e tranqüilidade para a família e a sociedade e não merecem ser acintosamente desrespeitadas.

Quando vocês ficarem horas esperando para serem atendidos na fila do SUS, ou sentirem-se inseguros em uma rua escura e esburacada, ou mesmo ficarem desanimados com a baixa qualidade do ensino nacional, todos seguidamente justificados com a insuficiência de verbas, lembrem-se que não é somente a Faixa de Gaza que foi brindada com essa polpuda e espontânea doação, mas também diversos países africanos com valores superiores a U$ 1,2 bilhão (um bilhão e duzentos milhões de dólares sim senhores), assim como o governo do índio cocaleiro Evo Morales e de outros governos latino americanos de ideologias esquerdistas.

 

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Terça-feira, 20 de Julho de 2010 - 14:49
Palmadabrás

Na onda estatizante que domina o governo federal e com a vontade insaciável que ele tem de criar ministérios, autarquias, estatais e outros assemelhados, estou entendendo que a nova oportunidade de gerar um belo cabide de emprego e satisfazer os ideólogos de plantão seria a criação da Palmadabrás.

Vejam que belo golpe publicitário.

Satisfaria seu ego megalomaníaco, atenderia seus companheiros e justificaria o projeto de lei recentemente enviado ao Congresso Nacional propondo imiscuir-se na educação familiar (o presidente é reconhecidamente um educador emérito) e determinando se as mães devem ou não dar uma palmada no traseiro de seus filhos sapecas e, se por ventura elas optarem pelo castigo, escolherem qual a intensidade da palmada.

Volto a afirmar cada vez com maior convicção: está faltando trabalho no Palácio do Planalto.

Imaginem que glória para a burocracia brasiliense: depois de criada a Palmadabrás, com filiais em todo o território nacional, seriam realizados concursos para seleção de milhares de cargos básicos (meramente para engordar números estatísticos do IBGE), enquanto que as posições de gerência e de diretoria seriam reservadas e distribuídas para os companheiros sindicalizados.

 Em seguida seriam contratadas diversas consultorias especializadas em estruturas organizacionais, constituídas às pressas, obviamente, por filiados do partido do governo para organizar as Palmadabrás estaduais e não podemos nos esquecer das ONG, aquelas já bastantes conhecidas que sempre estão recebendo polpudos recursos para treinamento sem nunca treinar ninguém, que fatalmente seriam convocadas.

Seria uma festa. Isso posto, o pacote estaria pronto.

O Congresso Nacional, de acordo com o Executivo, aprovaria a Lei da Pancada e do Beliscão, criaria o cargo de Fiscal do Lar para dedurar ao Promotor da Palmadabrás os pais que dessem um corretivo em seu filho por trocarem a tarefa escolar pelo vídeo game; os país seriam julgados, punidos severamente, e o filho continuaria impune e deixando seus deveres de escola de lado e privilegiando o não cumprimento do dever.

Exatamente como vemos os exemplos dos nossos líderes.

 

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Sábado, 03 de Julho de 2010 - 09:26
Voltando ao normal

Para desencanto de alguns, para tristeza de outros, mas para bem estar da nação, as coisas começam (ou deveriam começar) voltar à normalidade.

Com a previsível desclassificação da seleção do Dunga, que não era a seleção da maioria dos brasileiros, o país volta a pensar em seus problemas que são infinitamente superiores a simples expectativa de imaginar onde a bola iria parar após o chute do Robinho ou a cabeceada do Luis Fabiano.

Em que pese o futebol ser a paixão dominante no país, deixando para trás outros costumes e procedimentos com religiões, carnaval, relacionamentos e quaisquer fatores que venham à memória, não podemos nos esquecer que o país atravessa um período de baixo índice de desenvolvimento humano, atestado pelos organismos internacionais (estamos em 75º lugar no mundo), mas trocaríamos tudo isso pelo título de campeões mundiais de futebol.

As pessoas que circulavam alegremente pelas ruas soando suas vuvuzelas alegremente, inocentemente não se davam conta que o grito que “é campeão†estava favorecendo os administradores que não tinham interesse nem competência em alterar a posição do Brasil nesse ranking nefasto, que significa cada dia a morte de mais pessoas por falta de assistência à riqueza, alfabetização, educação, esperança de vida, natalidade como diz o relatório da ONU que divulgou o último Ãndice de Desenvolvimento Humano.

Como sugestão de cidadania, proponho a todos que canalizem suas energias positivas de Brasil campeão para as eleições que se aproximam: vamos ser campeões sim, escolhendo o que há de melhor.

Todos terão a oportunidade real de serem positivamente campeões.

Terão a obrigação de escolher o melhor Deputado Estadual e o melhor Deputado Federal que representem Bauru junto a Assembléia Legislativa Estadual e a Câmara Federal, deixando de lado as ofertas vazias que os pára-quedistas de outras regiões, com o Vicentinho que esteve esta semana por aqui, possam fazer. Eles não têm nada a ver com a nossa comunidade e são como Copa do Mundo: acontecem de quatro em quatro anos.

Quanto ao Presidente, Governador e Senadores, tenham em mente a necessidade de avaliarem detidamente seus programas de governo, abstraindo-se de suas promessas de presentes e vantagens. Sejam conscientes de que a propaganda eleitoral é ilusória e busca transmitir uma imagem dourada do candidato, levando o eleitor a concluir ser ele a pessoa ideal para administrar o país.

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Segunda-feira, 14 de Junho de 2010 - 21:21
Terra Sem Cultura

Não conhecia o ex-secretário da Cultura, mas a nova secretária é sabidamente uma inspiradora de boas ações e se ela for prestigiada pelo executivo, Bauru dará uma grande guinada no campo cultural. E estamos precisando muito.

Cito alguns exemplos que distinguem negativamente nossa cidade das demais. Saiam do Estoril em direção a Instituição Toledo de Ensino, como faço todas as manhãs, e tenham a ousadia de querer comprar um jornal para se atualizar cultural e politicamente. Jamais conseguirão. Não existe uma banca em todo o trajeto; e não é só nesse percurso. A cidade “orgulha-se†de ser a detentora do título de última colocada em número de banca de jornais e revistas.

Mudem seus planos e liguem o rádio do carro para ouvir um noticiário ou mesmo uma prestação de serviços: ledo engano; as únicas programações disponíveis serão ofertas de vendas de terrenos no céu, curas milagrosas ou degradações humanas nas rádios AM ou músicas hip-hop ou sertanejas universitárias nas FM.

Neste sábado, estava acontecendo o jogo Estados Unidos e Inglaterra, pela Copa do Mundo da Ãfrica do Sul, apontado pelos institutos de pesquisa como o evento mais importante para os brasileiros dentre todos os pesquisados, e as rádios bauruenses dividiam-se entre músicas de baixa qualidade e sessões evangélicas; nenhuma, repito, nenhuma delas sequer “arriscou-se†a furar o bloqueio e transmitir a partida em cadeia com outra emissora.

Entendo e respeito o direito de livre manifestação das crenças religiosas, que são inclusive garantidas constitucionalmente, assim como das tendências culturais, mas os empresários de comunicação e o próprio poder público deveriam estar alertas para as massificações que esses procedimentos conduzem, criando populações alienadas e que não conseguem ter vontade e pensamento próprios.

Muito diferente de cidades cosmopolitas como Ribeirão Preto, Campinas e São José dos Campos, para ficar apenas em alguns poucos exemplos, que tem seus meios de comunicação diversificados e de extrema qualidade, criando espaço para as religiões usarem seus púlpitos eletrônicos, mas não impedindo que as demais atividades sejam desenvolvidas e cumpram sua função social de informar e criar conceitos de cidadania.

São essas atitudes que moldam as características das cidades e que criam ambientes para os empreendedores encontrarem condições sociais para se instalar e modificar os ambientes provincianos que nos levam a perder os órgãos regionais das empresas públicas, das indústrias que freqüentemente avaliam a possibilidade de vir para nossa cidade mas optam por outra com melhor estrutura político cultural.

 

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Quarta-feira, 09 de Junho de 2010 - 13:50
Como o Mandatário é Escolhido

Quando participamos de uma eleição, nós (o povo) somos o mandante do poder e elegemos nossos representantes (mandatários) e devemos levar em consideração qual será o destino do nosso voto.

Além da seleção criteriosa dos nossos candidatos, da análise dos seus programas de governo, no caso de postulantes a cargos executivos, ou propostas de trabalho para os aspirantes a mandatos legislativos, devemos observar atentamente os candidatos a deputados e vereadores, pois o quociente eleitoral poderá levar figuras indesejáveis aos parlamentos.

As formas de escolhas são distintas: enquanto os cargos executivos e de senadores são majoritários, cabendo aos primeiros a possibilidade de segundo turno, para os demais legisladores o critério e da escolha proporcional.

Em contrapartida, somente os senadores têm dois suplentes, normalmente desconhecidos, quase sempre financiadores da campanha do titular e que são beneficiados com o prêmio da senatoria ao longo dos oito anos de mandato com algum tipo de substituição ou impedimento que geralmente ocorre, ou com a nomeação do titular para algum ministério, ou com a morte do mesmo.

Os modelos de votação aprovados constitucionalmente no Brasil são os seguintes:

O PRESIDENTE, os GOVERNADORES e os PREFEITOS de cidades com mais de 200 mil eleitores serão eleitos em MAIORIA ABSOLUTA no PRIMEIRO TURNO, se atingirem o primeiro número inteiro superior a metade dos votos válidos.

O PRESIDENTE, os GOVERNADORES e os PREFEITOS de cidades com mais de 200 mil eleitores serão eleitos, quando houver segundo turno, pelo critério de MAIORIA SIMPLES.

Os SENADORES serão eleitos pelo critério de MAIORIA SIMPLES.

Os DEPUTADOS FEDERAIS, os DEPUTADOS ESTADUAIS e os VEREADORES serão eleitos pelo VOTO PROPORCIONAL

CRITÉRIO DA ESCOLHA PROPORCIONAL

 1.  Quociente Eleitoral: número de votos que um partido ou uma coligação tem que atingir para conseguir eleger um candidato; o candidato que será eleito será o que tiver maior número de votos; o quociente eleitoral é encontrado pela divisão do número de votos válidos da eleição pelo número de cadeiras disputadas (vagas);

 2.  Quociente Partidário: representa o número de votos obtido pelos partidos.

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Quinta-feira, 03 de Junho de 2010 - 18:31
Vamos comparar – 1

A sugestão feita pelo presidente Lula de comparar suas ações de governo é bastante animadora e provoca fortes sentimentos de cidadania, motivando-me a iniciar uma série de comparações sobre as mesmas e o que elas poderiam provocar no anseio popular. Esta é a primeira de uma série.

Nesta primeira comparação, vamos por à mesa as dívidas que o Brasil perdoou apenas dos países africanos e latino americanos até o final de 2008 segundo informa o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD - http://www.pnud.org.br/administracao/).

Até aquela data foram doados U$ 1,326 bilhões (estamos falando em dólares) e depois disso houve uma intensificação das doações, notadamente para Moçambique, Bolívia, Angola e outros países menos cotados da Ãfrica, mas com direito a voto para o Conselho de Segurança da ONU, onde o Brasil busca um assento definitivo.

Em Bauru, parte desse dinheiro doado resolveria toda a dívida do município, alem do viaduto inacabado,do viaduto Mauá, da dívida da Cohab, das 513 quadras que um dia serão asfaltadas, dos terrenos que serão limpos, dos muros que serão despichados, da avenida José Vicente Aiello que será duplicada e asfaltada, das Unidades de Saúde e das demais promessas que certamente nunca serão cumpridas, pois como o Brasil, Bauru é a terra do futuro.

Mas certamente, no Brasil como um todo, quantas pessoas teriam um SUS mais eficaz se esse dinheiro cumprisse seu papel constitucional e fosse revertido para o bem comum, que é o dever social do imposto; poderia não resolver o problema como um todo, mas certamente o minimizaria.

Podemos entender a justificativa de ajuda humanitária, o que seria louvável se a ajuda humanitária dentro de casa não fosse ignorada e simplesmente transformada em bolsa família para alguns. Essa situação de penúria é comum a todos os municípios brasileiros, notadamente no nordeste, aonde as verbas chegam somente através de políticos profissionais em períodos pré-eleitorais e com destinações próprias.

Portanto, nada mais justo que atender em gênero, número e grau a pedido do senhor presidente e comparar a nossa situação, principalmente quando estivermos nas filas intermináveis do SUS, ou quando estivermos sacolejando nos transportes coletivos de baixa qualidade pelas ruas e rodovias esburacadas e pensando: “se aquele dinheiro não tivesse sido doado, talvez este problema tivesse sido resolvido e o imposto que eu paguei teria sido revertido com a justiça que eu bem merecia.â€

A continuidade das obras deste governo, se prevalecer, deverá manter o mesmo estado de coisas e nós, certamente, não merecemos.

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Segunda-feira, 31 de Maio de 2010 - 17:39
Um Reino Chamado Ilusão

Eu vivo num lindo reino, dotado de uma enormidade de recursos naturais, bonito ao extremo, com clima tropical delicioso, praias paradisíacas, livre de vendavais, vulcões, terremotos, maremotos, tsunamis e outros fenômenos naturais violentos, além de ser habitado por pessoas lindas, melodiosas e com humor delicioso.

Com todas as vantagens proporcionadas por esse conjunto de fatores positivos, que se sobrepõem largamente aos negativos, o mundo inteiro vê Ilusão como um verdadeiro paraíso terrestre e eu não poderia deixar de compartilhar essas benesses com aqueles que não tiveram a felicidade de nascer nesta terra abençoada. Vou começar descrevendo as três principais castas que povoam Ilusão:

 

-     os ilusionistas, compõem a classe dominante; são os políticos, os juristas e os empresários;


-     os iluminados, são aqueles com conhecimento e cultura, mas sem acesso ao poder e, conseqüentemente, às decisões; são os professores, consultores, técnicos, profissionais da área de saúde e outros, e


-     os iludidos, são os habitantes comuns e não dotados de ascendência social significativa.

 

Os ilusionistas ditam as regras que os asseguram na roda do poder de Ilusão, os iluminados avalizam os seus procedimentos e os iludidos são os cumpridores das regras unilaterais criadas pelos capitães hereditários.

Os ilusionistas políticos têm duas classificações distintas: situação e oposição, mas atuam sempre com os mesmos objetivos; aliados a eles estão os juristas e empresários, todos empenhados na execução de um planejamento especialmente desenvolvido visando o bem comum e a manutenção do sistema vigente.

Enquanto os ilusionistas parlamentares tecem as leis que da melhor forma atendam aos interesses da casta, os ilusionistas empresários se dedicam a rodear os palácios dos ilusionistas executivos reais propondo projetos faraônicos e obtendo os melhores contratos para prestação de serviços com a maior lucratividade possível e enquanto os ilusionistas juristas garantem a legitimidade constitucional do processo.

Cabe dizer que o planejamento é eficientíssimo, pois os ilusionistas estão instalados em territórios definidos para cada um; tanto os executivos, quanto os legislativos, os judiciários e os empresários atuam em espaços próprios pré-definidos, em âmbito nacional, estadual ou municipal e não avançam sobre ambientes alheios para manter o clima de cordialidade e comunhão existente.

Os iluminados são os garantidores para os demais países do rótulo de qualidade e legitimidade raramente existentes nos projetos.

Aos iludidos cabe fornecer mão-de-obra nem sempre qualificada e, conseqüentemente de baixo custo, resultado do desinteresse dos ilusionistas em criar planos de educação continuada pelo risco que o conhecimento que fosse adquirido por eles poderia trazer à execução de seus planos.

O ilusionista líder consegue, sempre com alto custo para os iluminados e iludidos, manter uma aura de seriedade, honestidade e visão de estadista; seguramente nem ele mesmo acredita na caricatura que os iluminados especializados em propaganda política construíram a seu respeito; mas para a continuidade do projeto de permanência no poder o maior tempo possível, ele entende que vale tudo: os fins justificariam os meios.

Para completar esse quadro surrealista, os ilusionistas políticos, tanto da situação quanto da oposição, acomodados nas funções diretivas recebidas como prêmio pela fidelidade canina, lutam abertamente pela perpetuação do ilusionista real no poder, pois estariam garantidos em cargos altamente remunerados e pomposamente recompensados pelos empresários especializados na arte de trocar favores por moedas.

Em contrapartida, os ilusionistas dominantes vêm praticando um programa rotulado pela propaganda política como de inserção social e conseguem estonteante sucesso na sua aplicação, pois, embora os ilusionistas, os iluminados e parte dos iludidos entendam claramente o objetivo espúrio do projeto, a imagem do ilusionista real é vista como fantástica por aqueles que preferem viver de esmolas a ter uma formação cultural, moral e cívica de qualidade.

Como o comportamento humano jamais consegue unanimidade, raríssimos ilusionistas, iluminados e iludidos agem de forma ética, causando constrangimentos entre seus pares pela comprovada retidão de princípios demonstrada e, seguramente, fora do padrão recomendado pelo ilusionista líder.

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  Neto

Manoel Ribeiro Neto é consultor e articulista do BOM DIA.
Prosperina ou Maria Isméria
Minha mãe ficou irritada
Felipe Gomes ou Ciro Massa
Seu Dinheirinho Virou Pó
 

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