Entretanto, quando a candidata enveredou pelo caminho do conteúdo
programático, foi um verdadeiro desastre; ficou no mesmo nÃvel, ou em um nÃvel
inferior ao dos demais componentes da mesa, que preferiram discutir temas
passados, requentados, despretensiosos e que não provocam qualquer expectativa ou
clamor popular.
A candidata Dilma disse que vai ser mãe de todos os brasileiros; eu não
sei se a mãe de vocês aceitou a notÃcia, mas a minha eu tenho certeza que não.
Embora ela não esteja mais entre nós, felizmente para ela que era
crÃtica de toda essa trapalhada polÃtica e está livre de ver o que a
representante feminina candidata à presidência está aprontando como “legÃtimaâ€
representante das mulheres, eu tenho certeza que ficou horrorizada e desaprovou
totalmente a arrogante afirmação da Dona Dilma em dizer que recebeu do Senhor
Lula a incumbência de ser a mãe de todos os brasileiros; acredito que muitas
mães brasileiras ficaram deveras indignadas.
Primeiro porque o senhor presidente não recebeu dos brasileiros mandato
para tanto; ele foi eleito, segundo a Constituição Federal para durante o seu
mandato acumular as funções de Chefe de Estado e de Governo brasileiros e,
vasculhando a Carta Magna, não encontrei em nenhum dos seus artigos e em
nenhuma das Emendas Constitucionais já aprovadas, qualquer menção ao fato de que
foi delegada a ele a função de ser nossa mãe, nem em sentido real nem em
sentido figurado.
É tudo farinha do mesmo saco. São duas personalidades nacionais que jogaram
suas imagens na lata do lixo por atitudes tomadas na contramão da opinião
pública.
A segunda foi dolorosa: tÃnhamos o Felipe Massa em conta de um grande
guerreiro e um decente esportista, mas novamente os dólares (ou seriam os euros?)
falaram mais alto e ele candidamente, como já havia feito mais de uma vez o
Barrichello, foi para o acostamento para ser vergonhosamente ultrapassado pelo
Fernando Alonso, cumprindo determinação da Ferrari e ignorando os milhares de
brasileiros que tinham despertado cedo no domingo e transferido seus passeios
com a famÃlia para ficarem pregados na televisão torcendo por ele a cada curva.
Novamente seu rico (ou pobre) dinheirinho virou pó nas mãos daqueles
que gostam de fazer festa distribuindo entre os amigos ideológicos aquilo que
suamos muito para ganhar e entregamos em forma de impostos muitas vezes injustos.
E os nossos governantes, como grandes altruÃstas que sempre demonstram
ser quando o assunto envolve ideologia controversa, optaram por fazer a doação
do que não pertencia a eles, mas ao sofrido povo brasileiro.
Obviamente os grandes culpados somos todos nós que os escolhemos como
nossos representantes nas últimas eleições e demos a eles o mandato para nos
representar e tomar as decisões polÃticas em nosso nome.
Quem mandou não sabermos escolher bem as pessoas que irÃamos colocar
para dirigir nosso paÃs; quem mandou acreditarmos nas palhaçadas que eles
apresentaram nos horários polÃticos mostrados enfadonhamente nas rádios e televisões
durante o perÃodo eleitoral; quem mandou acharmos que os programas
assistencialistas ofertados seriam a nossa redenção.
E agora teremos eleição novamente.
Não se esqueçam que todos nós quando praticamos o ato de cidadania de
colocar um elemento desses para dirigir ou para legislar em um paÃs, em um
estado ou em um municÃpio, estamos dando uma carta branca para ele decidir em
nosso nome e depois não podemos chorar em cima do leite derramado.
Temos que aprender a entender os programas de governo que são
oferecidos e discutir com os candidatos o que realmente eles estão pretendendo
fazer ao longo dos anos de seus mandatos, antes de conceder a eles o aval para
nos representar.
É muito importante o papel que essas pessoas irão desempenhar enquanto
mandatários de cargos públicos; não se esqueçam que todos os atos que eles
executarem envolverão, provavelmente, somas fabulosas de recursos representados
pela somatória dos esforços de milhares de brasileiros que como você levantam
cedo e se dedicam horas a fio longe da famÃlia para produzir bens e serviços,
gerando impostos para o governo e resultados para os empresários e tranqüilidade
para a famÃlia e a sociedade e não merecem ser acintosamente desrespeitadas.
Volto a afirmar cada vez com maior convicção: está faltando trabalho no
Palácio do Planalto.
Imaginem que glória para a burocracia brasiliense: depois de criada a Palmadabrás,
com filiais em todo o território nacional, seriam realizados concursos para
seleção de milhares de cargos básicos (meramente para engordar números
estatÃsticos do IBGE), enquanto que as posições de gerência e de diretoria
seriam reservadas e distribuÃdas para os companheiros sindicalizados.
Seria uma festa. Isso posto, o pacote estaria pronto.
O Congresso Nacional, de acordo com o Executivo, aprovaria a Lei da
Pancada e do Beliscão, criaria o cargo de Fiscal do Lar para dedurar ao
Promotor da Palmadabrás os pais que dessem um corretivo em seu filho por
trocarem a tarefa escolar pelo vÃdeo game; os paÃs seriam julgados, punidos
severamente, e o filho continuaria impune e deixando seus deveres de escola de
lado e privilegiando o não cumprimento do dever.
Exatamente como vemos os exemplos dos nossos lÃderes.
Para desencanto de alguns, para tristeza de outros, mas para bem estar
da nação, as coisas começam (ou deveriam começar) voltar à normalidade.
Com a previsÃvel desclassificação da seleção do Dunga, que não era a
seleção da maioria dos brasileiros, o paÃs volta a pensar em seus problemas que
são infinitamente superiores a simples expectativa de imaginar onde a bola iria
parar após o chute do Robinho ou a cabeceada do Luis Fabiano.
Em que pese o futebol ser a paixão dominante no paÃs, deixando para
trás outros costumes e procedimentos com religiões, carnaval, relacionamentos e
quaisquer fatores que venham à memória, não podemos nos esquecer que o paÃs
atravessa um perÃodo de baixo Ãndice de desenvolvimento humano, atestado pelos
organismos internacionais (estamos em 75º lugar no mundo), mas trocarÃamos tudo
isso pelo tÃtulo de campeões mundiais de futebol.
Como sugestão de cidadania, proponho a todos que canalizem suas
energias positivas de Brasil campeão para as eleições que se aproximam: vamos
ser campeões sim, escolhendo o que há de melhor.
Todos terão a oportunidade real de serem positivamente campeões.
Entendo e respeito o direito de livre manifestação das crenças
religiosas, que são inclusive garantidas constitucionalmente, assim como das
tendências culturais, mas os empresários de comunicação e o próprio poder
público deveriam estar alertas para as massificações que esses procedimentos
conduzem, criando populações alienadas e que não conseguem ter vontade e
pensamento próprios.
São essas atitudes que moldam as caracterÃsticas das cidades e que
criam ambientes para os empreendedores encontrarem condições sociais para se
instalar e modificar os ambientes provincianos que nos levam a perder os órgãos
regionais das empresas públicas, das indústrias que freqüentemente avaliam a possibilidade
de vir para nossa cidade mas optam por outra com melhor estrutura polÃtico
cultural.
Quando participamos de uma eleição, nós (o povo) somos o mandante do
poder e elegemos nossos representantes (mandatários) e devemos levar em
consideração qual será o destino do nosso voto.
Os modelos de votação aprovados constitucionalmente no Brasil são os
seguintes:
O PRESIDENTE, os GOVERNADORES e os PREFEITOS de cidades com mais de 200 mil eleitores serão eleitos em
MAIORIA ABSOLUTA no PRIMEIROTURNO, se atingirem o primeiro número inteiro superior a metade dos
votos válidos.
Portanto, nada mais justo que atender em gênero, número e grau a pedido
do senhor presidente e comparar a nossa situação, principalmente quando
estivermos nas filas intermináveis do SUS, ou quando estivermos sacolejando nos
transportes coletivos de baixa qualidade pelas ruas e rodovias esburacadas e
pensando: “se aquele dinheiro não tivesse sido doado, talvez este problema tivesse
sido resolvido e o imposto que eu paguei teria sido revertido com a justiça que
eu bem merecia.â€
A continuidade das obras deste governo, se prevalecer, deverá manter o
mesmo estado de coisas e nós, certamente, não merecemos.
Com todas as vantagens proporcionadas por esse conjunto de fatores
positivos, que se sobrepõem largamente aos negativos, o mundo inteiro vê Ilusão
como um verdadeiro paraÃso terrestre e eu não poderia deixar de compartilhar
essas benesses com aqueles que não tiveram a felicidade de nascer nesta terra
abençoada. Vou começar descrevendo as três principais castas que povoam Ilusão:
-os ilusionistas, compõem a classe dominante;
são os polÃticos, os juristas e os empresários;
-os iludidos, são os habitantes comuns e não
dotados de ascendência social significativa.
Os ilusionistas ditam as regras que os asseguram na roda do poder de
Ilusão, os iluminados avalizam os seus procedimentos e os iludidos são os
cumpridores das regras unilaterais criadas pelos capitães hereditários.
Os ilusionistas polÃticos têm duas classificações distintas: situação e
oposição, mas atuam sempre com os mesmos objetivos; aliados a eles estão os
juristas e empresários, todos empenhados na execução de um planejamento
especialmente desenvolvido visando o bem comum e a manutenção do sistema vigente.
Enquanto os ilusionistas parlamentares tecem as leis que da melhor
forma atendam aos interesses da casta, os ilusionistas empresários se dedicam a
rodear os palácios dos ilusionistas executivos reais propondo projetos
faraônicos e obtendo os melhores contratos para prestação de serviços com a
maior lucratividade possÃvel e enquanto os ilusionistas juristas garantem a
legitimidade constitucional do processo.
Os iluminados são os garantidores para os demais paÃses do rótulo de
qualidade e legitimidade raramente existentes nos projetos.
Aos iludidos cabe fornecer mão-de-obra nem sempre qualificada e,
conseqüentemente de baixo custo, resultado do desinteresse dos ilusionistas em
criar planos de educação continuada pelo risco que o conhecimento que fosse
adquirido por eles poderia trazer à execução de seus planos.
O ilusionista lÃder consegue, sempre com alto custo para os iluminados
e iludidos, manter uma aura de seriedade, honestidade e visão de estadista;
seguramente nem ele mesmo acredita na caricatura que os iluminados
especializados em propaganda polÃtica construÃram a seu respeito; mas para a
continuidade do projeto de permanência no poder o maior tempo possÃvel, ele
entende que vale tudo: os fins justificariam os meios.
Para completar esse quadro surrealista, os ilusionistas polÃticos,
tanto da situação quanto da oposição, acomodados nas funções diretivas
recebidas como prêmio pela fidelidade canina, lutam abertamente pela
perpetuação do ilusionista real no poder, pois estariam garantidos em cargos
altamente remunerados e pomposamente recompensados pelos empresários
especializados na arte de trocar favores por moedas.