Blog do Neto

Segunda-feira, 14 de Junho de 2010 - 21:21
Terra Sem Cultura


Não conhecia o ex-secretário da Cultura, mas a nova secretária é sabidamente uma inspiradora de boas ações e se ela for prestigiada pelo executivo, Bauru dará uma grande guinada no campo cultural. E estamos precisando muito.

Cito alguns exemplos que distinguem negativamente nossa cidade das demais. Saiam do Estoril em direção a Instituição Toledo de Ensino, como faço todas as manhãs, e tenham a ousadia de querer comprar um jornal para se atualizar cultural e politicamente. Jamais conseguirão. Não existe uma banca em todo o trajeto; e não é só nesse percurso. A cidade “orgulha-se†de ser a detentora do título de última colocada em número de banca de jornais e revistas.

Mudem seus planos e liguem o rádio do carro para ouvir um noticiário ou mesmo uma prestação de serviços: ledo engano; as únicas programações disponíveis serão ofertas de vendas de terrenos no céu, curas milagrosas ou degradações humanas nas rádios AM ou músicas hip-hop ou sertanejas universitárias nas FM.

Neste sábado, estava acontecendo o jogo Estados Unidos e Inglaterra, pela Copa do Mundo da Ãfrica do Sul, apontado pelos institutos de pesquisa como o evento mais importante para os brasileiros dentre todos os pesquisados, e as rádios bauruenses dividiam-se entre músicas de baixa qualidade e sessões evangélicas; nenhuma, repito, nenhuma delas sequer “arriscou-se†a furar o bloqueio e transmitir a partida em cadeia com outra emissora.

Entendo e respeito o direito de livre manifestação das crenças religiosas, que são inclusive garantidas constitucionalmente, assim como das tendências culturais, mas os empresários de comunicação e o próprio poder público deveriam estar alertas para as massificações que esses procedimentos conduzem, criando populações alienadas e que não conseguem ter vontade e pensamento próprios.

Muito diferente de cidades cosmopolitas como Ribeirão Preto, Campinas e São José dos Campos, para ficar apenas em alguns poucos exemplos, que tem seus meios de comunicação diversificados e de extrema qualidade, criando espaço para as religiões usarem seus púlpitos eletrônicos, mas não impedindo que as demais atividades sejam desenvolvidas e cumpram sua função social de informar e criar conceitos de cidadania.

São essas atitudes que moldam as características das cidades e que criam ambientes para os empreendedores encontrarem condições sociais para se instalar e modificar os ambientes provincianos que nos levam a perder os órgãos regionais das empresas públicas, das indústrias que freqüentemente avaliam a possibilidade de vir para nossa cidade mas optam por outra com melhor estrutura político cultural.

 


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  Neto

Manoel Ribeiro Neto é consultor e articulista do BOM DIA.
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